Como passei no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

Introdução

O Exame que seleciona aqueles que têm a pretensão de requerer inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é o tormento de muitos acadêmicos e bacharéis em direito, não raro sendo considerado de difícil a muito difícil. As estatísticas apresentadas no sítio da OAB-RJ, relacionadas ao Estado do Rio de Janeiro, são bastante preocupantes, o que em tese seria resultado da má qualidade do ensino jurídico no Estado. Como é cediço que o Exame de Ordem não reprova muito apenas no Rio de Janeiro, tudo nos levaria a crer, mais uma vez teoricamente, que realmente o ensino jurídico no Brasil deixa muito a desejar.

Não bastasse a pecha de que o ensino jurídico é considerado ruim, a própria fama do Exame de Ordem e seu índice de reprovação, os presentes e futuros examinandos ainda são pressionados a prestar o Exame de Ordem “logo” (a OAB permite a partir do último ano), normalmente coincidindo com o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), já que o conhecimento adquirido ao longo do curso de graduação ainda estaria “fresco”. É evidente que, para alguns, não passar logo na prova pode significar uma não efetivação de estagiário para advogado, dependendo do escritório ou sociedade de advogados. Soma-se a isso o fato de que, em regra, os acadêmicos são avaliados, durante a graduação, quanto ao conteúdo atinente àquele período, o que acaba por induzi-lo a não revisar o que estudado anteriormente, e no dia certame acaba por perceber que o conteúdo é bastante universalizado (início, meio e fim da faculdade – indistintamente).

Também se deve levar em conta que o mundo jurídico “vende” a ideia que se pode ganhar muito – dinheiro e status – através de suas carreiras, principalmente aquelas habitam o imaginário da maioria: concursos da Magistratura, do Ministério Público e de Delegado de Polícia. Lembrando-me do início da graduação, realmente a maioria dos meus colegas gostaria de trilhar uma das mencionadas carreiras, e muitos que têm tal sonho acabam por relegar a advocacia ao segundo plano, mas não se dão conta que, para conseguir ingressar nas carreiras supramencionadas, é preciso exercer atividade jurídica iniciada após a colação de grau. Embora não se possa afirmar que a advocacia seja uma atividade subsidiária, sendo trampolim para diversas carreiras, ser advogado ou advogada é o caminho mais “fácil”. Repita-se que não se está questionando a importância da advocacia, pois é inegável que o advogado “é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei” (art. 133 da Constituição). Não por outro motivo assim já se posicionou o Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da Ordem (ADI 3026/DF):

[…] A Ordem é um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. 4. A OAB não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como “autarquias especiais” para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas “agências”. 5. Por não consubstanciar uma entidade da Administração Indireta, a OAB não está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer das suas partes está vinculada. Essa não-vinculação é formal e materialmente necessária. 6. A OAB ocupa-se de atividades atinentes aos advogados, que exercem função constitucionalmente privilegiada, na medida em que são indispensáveis à administração da Justiça [artigo 133 da CB/88]. É entidade cuja finalidade é afeita a atribuições, interesses e seleção de advogados. Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e qualquer órgão público. 7. A Ordem dos Advogados do Brasil, cujas características são autonomia e independência, não pode ser tida como congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está voltada exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade institucional. […]

Justificando os fins com os meios

Em primeiro lugar, quero deixar claro que, antes de ser aprovado no Exame de Ordem, eu havia fracassado em inúmeros concursos públicos. Não, eu não estou querendo comparar os tipos de certames, mas sim afirmar que às vezes o que falta é mudança de comportamento. Mas como diria Thomas Edson (inventor), “Eu não falhei. Só descobri dez caminhos que não eram o certo”. A rigor, nem sou muito fã de frases motivacionais, autoajuda e afins, mas pode servir para quem vier a ler o conteúdo desta publicação.

No que se refere aos concursos públicos, eu cansei de me inscrever e não me dedicar, ou me dedicado apenas em momentos isolados, tendo isso acontecido de novo nos dois concursos que fiz neste ano. Já fiz cursos preparatórios presenciais e online, mas sempre me faltou disciplina. Muitas vezes eu até chegava a montar horários – às vezes não factíveis –, mas muitas vezes não colocava o plano em execução ou executava apenas parcialmente. Mas eu já cheguei a ficar de fora de uma segunda fase por simples 3.5 pontos. Fui aprovado na maioria, mas nunca fui chamado e, em alguns concursos, eu sequer fiz o mínimo.

Um pouco antes do período em que prestei o Exame (e já faz tempo), eu iniciei um ciclo de estudos com muita dedicação, mas o meu foco não era o Exame da OAB, e acabei direcionando a minha atenção para um concurso público com cargo privativo de bacharel em direito (pois é o que se torna quando se conclui a faculdade, e não advogado). No concurso em comento eu até que me dediquei nos estudos, e até onde estudei ficou tudo bem assimilado, mas não cheguei nem perto de terminar o conteúdo e na prova exigiram justamente mais  daquilo que eu menos havia estudado, e o resultado foi catastrófico.

Não obstante, segui nos estudos e, depois de um ou dois meses , peguei para resolver a prova do Exame de ordem que havia acabado de ser finalizado e  “passei”. Fui “aprovado” em todas as provas que “fiz” – e não foram poucos. Quando resolvi as provas, eu cronometrava, mas não havia como incluir um pretenso tempo na marcação do cartão resposta, porque eu não tinha. Além disso, foi importante para conhecer a FGV Projetos, e em função disso eu tracei um cronograma bastante pragmático. Estudei exclusivamente para a primeira fase do Exame de Ordem por aproximadamente por quatro meses, sem auxílio de curso preparatório e utilizando exclusivamente livros. Foi a minha primeira e única tentativa. Não fiz a “prova porque todos os estavam fazendo” ou porque “se demorar para fazer não vai passar”.

No dia da prova, eu estava bem sereno e isso me permitiu fazer uma prova bem tranquila. Como fui pragmático nos estudos, tinha como meta acertar em torno de 60 questões, porque não se consegue rever tudo que se estudou na faculdade em poucos meses, ainda mais no meu caso (tranquei a faculdade). Praticamente ignorei várias disciplinas que me agregariam poucos pontos, e no geral fiz abaixo do esperado: 56 pontos, ou 70% da prova, que tem 80 questões (ou índice superior a 90%, se considerarmos a meta estipulada). E uma dos motivos de eu ter “gabaritado” (dentro do que havia estipulado) foi o fato de eu ter errado quatro ou cinco questões (não me recordo) relacionadas à legislação da própria OAB.

Já para a etapa seguinte (prova prático-profissional), eu foquei exclusivamente nas disciplinas que cairiam nesta fase e, apesar de não ter me dedicado tanto quanto na primeira fase, passei com folga também, em termos de conhecimento e acerto de conteúdo, mas em termos de nota, fui prejudicado porque a fiscal de prova esqueceu de marcar todo o tempo da prova, de forma que quando ela marcou da última vez (eles vão retirando um adesivo, que indica quanto tempo falta), eu acabei “passando a limpo” a peça profissional com pressa, e alguns detalhes acabaram passando. Nas discursivas eu quase gabaritei. Repito que eu não me preparei tanto para a segunda fase, mas estava bem preparado.

Para a segunda fase, a estratégia foi a seguinte: estudei direito material, direito processual, e eu dedicava um momento específico para estudar, na prática, as peças (exordiais). Além disso, verifiquei quais peças haviam sido cobradas nos Exames anteriores, porque algumas caem mais do que outras. O levantamento foi importante, pois o que mais estudei foi o que caiu (Mandado Segurança), mas até Reclamação Constitucional eu estudei. Todo esse levantamento foi importante porque, como afirmado, foi o meu primeiro exame de ordem, não fiz curso preparatório nem paguei coach.

Parênteses: breve histórico do desempenho na graduação

Mas antes que alguém se iluda e ache que conseguirá passar estudando poucos meses, é bom deixar claro que durante a faculdade eu estudei bastante, sobretudo depois que destranquei a matrícula e voltei a estudar — inclusive, quase a totalidade dos meus textos jurídicos são anteriores à conclusão da faculdade e à colação de grau. Entretanto, isso não quer dizer que tive um desempenho excecional. Muito pelo contrário: para lograr aprovação em cada disciplina, era preciso conseguir 6.0 pontos ou mais, e meu coeficiente de rendimento ficou pouco acima disso, muito embora o peso maior se deve ao fato de eu não entregar trabalhos desde o início, o que poderia me agregar de 1.0 a 2.0 pontos na média geral, considerando a pontuação integral.

Ainda quanto à graduação, um fato curioso acontecia: eu estudava por doutrina, mas muitas vezes não conseguia acompanhar a velocidade das aulas, porque os professores têm um poder de síntese impressionante (se eles adentrassem em detalhes minudentes, o curso de direito duraria 10 anos) e os livros que eu tinha eram bastante prolixos se comparados às aulas, de forma que nem sempre o meu esforço se refletia nas notas (somando-se ao fato de que durante um bom tempo não entregava trabalho). Em sentido oposto, muita gente que nem sempre estudava muito acabava se saindo bem se garantindo “apenas” com vade mecum. A vida tem dessas coisas.

A fórmula perfeita para os estudos: existe?

A minha fórmula de estudos para passar no Exame de Ordem foi a seguinte: simplesmente estudei e de maneira contínua, mas eu consideraria perigoso detalhar, por exemplo, a carga horária e a rotina de estudos. A sugestão que eu posso dar é que pesquise técnicas de estudos e teste para ver se vai dar certo (resolvendo provas), e adapte ao seu caso, utilizando-se, se necessário, de mais de uma técnica de estudos. A melhor fórmula é se conhecer.

No entanto, a seguinte sugestão lhe pode ser válida: adapte o seu horário de estudos à sua rotina, e não o contrário. Não necessariamente a pessoa mais “caseira” terá um desempenho melhor se começar a “sair mais”, o mesmo valendo para a pessoa que sai com mais frequência resolver se trancar numa “caverna” para estudar até passar. É preciso haver equilíbrio. E a dosagem do tempo de preparação com o de “não preparação” também deve ser levado em conta por aqueles que têm como trabalho o estudo.

Uma técnica que passei a aplicar quando “comecei” a me dedicar de verdade ao mundo dos concursos, foi a de compensação de horários, que consiste em postergar para data futura aquelas disciplinas que não foram estudadas na data pré-determinada, como no caso de outro compromisso, ou mesmo quando ocorre aquele período em que os estudos não rendem. Como exemplo, se eu ficar duas semanas “sem estudar”, as disciplinas não estudadas serão “jogadas” para frente, o que no meu caso significa preencher domingos (minhas folgas) e horários vagos. Além disso, se eu ficar um tempo razoável sem estudar – ou sem conseguir dar uma sequência nos estudos – eu reviso tudo.

Quanto à quantidade de disciplinas para estudo, não conseguido exaurir uma disciplina e partir para outra e assim sucessivamente: estudei todas de uma vez. Porém, é preciso entender “estudar tudo de uma vez” como o conjunto de disciplinas para determinado certame, mas não é algo desordenado: procurei distribuí-las ao longo semana, meses a fio. Quanto ao estudo diário, eu estudava, no máximo, duas disciplinas seguidas, e fazia um intervalo de pelo menos 30 minutos, mas procurava conciliar tal intervalo com algo que tinha de fazer, para não transformar o período em minutos vazios. Situação hipotética: após duas disciplinas, eu almoçava. Também procurava intercalar disciplinas diferentes (ou que não se complementam): primeiro direito civil e depois direito penal, e não direito civil e direito processual civil. Dentro dessa intercalação eu procurava, dentro do possível, primeiro estudar uma disciplina que considero mais difícil com outra mais fácil.

Aperfeiçoando a fórmula de estudos

Como deixei transparecer, se existe fórmula perfeita, é aquela personalizada, e isso só se sabe com o tempo, quando se conhece. Hoje em dia eu não dou tanto valor a carga horária (exceto se eu estiver compensando horários, porque sou obrigado), e nem me preocupo tanto em estudar muitas horas por disciplina. Atualmente, francamente, a minha carga horária está equilibrada. Já passando para o assunto concursos, eu passei a analisar editais de diversas carreiras e, embora não tenha me decidido em qual focar, eu já descartei algumas, porque conciliá-las inflaria demais o meu roteiro de estudos (não se pode confundir carga horária equilibrada com pouco conteúdo).

Para finalizar, será que compensa pagar um curso preparatório para passar no Exame da OAB?

Quando peguei a minha carteira da OAB, foi dito, em tom de brincadeira, que muitos formandos ficam “revoltados” quando “descobrem” que têm de fazer uma prova que possam trabalhar. E eu vou mais além: muitos sonham, durante toda a graduação, que o Exame da OAB deixe de ser requisito para se inscrever na Ordem, seja porque já foram avaliados durante a graduação, seja porque é injusto, viola a livre iniciativa etc., mas o fato é que a prova é prevista em lei, e regulamentada por ato (provimento) do Conselho Federal da OAB e, além de ter tido sua constitucionalidade reafirmada recentemente pelo STF – afinal, todas as leis nascem com tal presunção relativa), o seu maior opositor – Deputado Federal Eduardo Cunha – não está num bom momento político para dar cabo ao seu plano minar a exigência tão temida.

Assim, sabendo-se de sua exigência legal, o importante é conseguir se aprovado, por qualquer que seja o meio – desde que lícito –, e eu não vejo qualquer problema em se pagar um curso preparatório para ser aprovado e conseguir fazer parte deste seleto grupo – advogados. Afinal de contas, você está investindo no seu futuro profissional. Ademais, noto que é quase um mantra propagada pelos corredores de faculdades de que, para ser aprovado, é preciso investir em curso preparatório. Quando fiz a prova, o questionamento de outros examinandos a respeito de qual curso eu “fiz” precedia até outros assuntos mais diretamente relacionados ao Exame, como “qual disciplina” escolhi para a segunda fase. Inobstante, creio que qualquer um seja capaz de passar sem um curso preparatório, mas isso é pessoal: muitos estão atrás da motivação que os professores podem proporcionar, do treinamento, e até mesmo para efetivamente “aprender” (sabe-se lá como foi o relacionamento do examinando com a graduação)…

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Medida provisória (MP) 699: alerta para as pessoas que fazem protesto interrompendo as vias com veículos automotores

Foi publicada ontem, 11/11/2015, a MP 699, alterando a lei 9.503 (Código de Trânsito Brasileiro — CTB) que punirá severamente aquelas pessoas ou grupos que, geralmente em protestos organizados, ainda que pacíficos, obstruem as vias públicas. Eis o teor:

Art. 1º  A Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 253-A.  Usar veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via:

Infração – gravíssima;

Penalidade – multa (trinta vezes), suspensão do direito de dirigir por doze meses e apreensão do veículo;

Medida administrativa – recolhimento do documento de habilitação, remoção do veículo e proibição de receber incentivo creditício por dez anos para aquisição de veículos.

§ 1o  Aplica-se a multa agravada em cem vezes aos organizadores da conduta prevista no caput.

§ 2o  Aplica-se em dobro a multa em caso de reincidência no período de doze meses.” (NR)

“Art. 271-A.  Os serviços de recolhimento, depósito e guarda de veículo poderão ser executados por ente público ou por particular contratado.

§ 1o  Os custos relativos ao disposto no caput são de responsabilidade do proprietário do veículo.

§ 2o  Os custos da contratação de particulares serão pagos pelo proprietário diretamente ao contratado.

§ 3o  A contratação de particulares poderá ser feita por meio de pregão.

§ 4o  O disposto neste artigo não afasta a possibilidade de o ente da federação respectivo estabelecer a cobrança por meio de taxa instituída em lei.

§ 5o  No caso de o proprietário do veículo objeto do recolhimento comprovar, administrativamente ou judicialmente, que o recolhimento foi indevido ou que houve abuso no período de retenção em depósito, é da responsabilidade do ente público a devolução das quantias pagas por força deste artigo, segundo os mesmos critério da devolução de multas indevidas.” (NR)

“Art. 320-A.  Os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito poderão integrar-se para a ampliação e aprimoramento da fiscalização de trânsito, inclusive por meio do compartilhamento da receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito.” (NR)
Art. 2º  Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.

Eleição suplementar e inelegibilidade

As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF, inclusive quanto ao prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. Essa a conclusão do Plenário, que negou provimento a recurso extraordinário em que se alegava que, em caso de eleições suplementares, os referidos prazos deveriam ser mitigados. Na espécie, o marido da recorrente, então prefeito, tivera seu mandato cassado pela justiça eleitoral, em razão da prática de abuso do poder econômico. O Tribunal esclareceu que, na hipótese dos autos — eleições suplementares diante do afastamento por irregularidade de prefeito e em que sua esposa fosse candidata —, a questão da inelegibilidade reclamaria compreensão própria. Realçou que, conforme se observaria do parágrafo § 7º do art. 14 da CF (“São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição”), o caso seria de inelegibilidade e não de desincompatibilização. Portanto, não se trataria de providência a ser adotada pelo candidato a de desincompatibilizar-se para concorrer.

A Corte consignou que, como a perda do mandato de prefeito se dera em menos de seis meses do pleito complementar, a desincompatibilização no prazo fixado no parágrafo § 7º do art. 14 da CF constituiria uma condição inalcançável para a recorrente, mesmo que ela desejasse. Entretanto, a questão em análise não diria respeito à desincompatibilização da esposa candidata, já que ela não exercera o cargo do qual devesse, ela própria, desincompatibilizar-se. A hipótese seria de inelegibilidade e, nessa condição, deveria ser considerada para todos os efeitos. Salientou que o § 7º do art. 14 da CF teria o desiderato ético, político e social de prevenir possível apoderamento familiar dos mandatos eletivos, inclusive com utilização indevida da estrutura administrativa. Trataria, portanto, de hipótese constitucional de inelegibilidade e, assim, insuscetível de mitigação em favor dos seus destinatários. A par disso, a orientação da Corte seria a de compreender os §§ 5º, 6º e 7º do art. 14 da CF na sua perspectiva sistemática e teleológica, especialmente em face da introdução, em nosso sistema, do instituto da reeleição. Nessa perspectiva, nas hipóteses em que a reeleição de um dos cônjuges fosse constitucionalmente autorizada, a inelegibilidade do outro soaria incongruente. Em razão disso, o STF firmara entendimento no sentido de que quem pudesse se reeleger poderia ser sucedido pelo cônjuge, e assim, ao contrário, quem não pudesse se reeleger não poderia por ele ser sucedido. Nessa linha, cumpriria dar atenção, não tanto à circunstância da irredutibilidade do prazo constitucional de seis meses da suposta desincompatibilização, mas sim à condição de reelegibilidade do prefeito cassado. Não haveria dúvida, por conseguinte, que o cônjuge da recorrente tornara-se irreelegível, seja para a eleição complementar, seja para novo pleito (LC 64/90, art. 1º, I, c).

RE 843455/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 7.10.2015. (RE-843455)

Fonte: STF (informativo 802)

Corrida de rua: dos 10 km para os 5 km – regredindo para progredir

Quando comecei a correr, há pouco mais de três meses, o fiz praticamente sem orientação: fui maquinando possíveis percursos e, num dia de sábado de manhã, corri pelas ruas de algum lugar do Rio de Janeiro. Só que corri pouco, algo em torno de 400 ou 500 metros, e quase coloquei para fora todos os meus órgãos. O ritmo não foi forte, mas não estava acostumado a correr. O mais curioso é que o percurso que fiz tinha pouco mais de 10 km, e eu sinceramente tinha a pretensão de conseguir concluir tudo sem parar.

Foi correndo “até cansar” (nada de absurdo) e caminhando até recuperar o fôlego que fui evoluindo e consegui baixar meu tempo, sempre no mesmo percurso, em mais de 10 minutos ao longo das semanas (treinava diariamente e descansava nos fins de semana). E apesar de não haver muita precisão entre corrida leve e caminhada de recuperação, costumava me basear em quarteirões (ou quadras) e postes.

Tudo estava bem até que sofri uma entorse no tornozelo e fiquei praticamente 2 meses sem poder correr. Mas na semana do entorse eu me lembro que eu já estava recebendo uma orientação preliminar, e a planilha que uma profissional montou para mim foi baseada nos meus próprios dados: médias de quanto tempo (ou distância) eu conseguia me manter correndo, quanto tempo levava para me recuperar etc., para permitir uma progressão. Como demorei muito retornar aos treinos, a minha planilha foi adaptada tendo como referência o meu primeiro treino. Volto a repetir: uma zona segura de treinamento, mas que permitisse uma progressão no treinamento, de acordo com a minha evolução. A minha orientação (a distância) de exercícios consistia, basicamente, em corridas leves e caminhadas de recuperação — a caminhada de recuperação estava compreendida nos 10 km).

Quando retornei aos treinamentos, em meados de setembro, uma série de imprevistos me impediram de manter uma sequência de treinos, e eu atribuo isso basicamente ao calor excessivo que tem feito desde cedo no Rio de Janeiro, e isso ficou bastante claro no dia 13/10/2015, em que senti um desgaste físico muito grande a partir  dos últimos 2.5 km (aproximadamente) do percurso, sem estar treinamento num ritmo forte. Voltei andando para casa.

Após o ocorrido, resolvi repensar o meu treinamento — o aval de um educador físico é importante, mas não substitui o que sinto no meu corpo —, e simplesmente decidi que treinaria dali em diante apenas a metade do percurso, mas mantendo as distâncias (ou tempo) das corridas e das caminhadas de recuperação, para permitir progressão no futuro — e os outros 5 km serão diluídos para que sejam alcançados nos próximos meses).

Cheguei à conclusão de que deveria treinar apenas metade do percurso porque é justamente neste trecho que colho os melhores benefícios do treinamento (sensação minha), e meu ritmo começa a cair a partir de 6 km, e despenca a partir de 7.5 km, isso em tempos de temperatura elevada, o que inviabilizaria treinos diários de 10 km — e eu preciso correr todo dia, porque isso vicia. Entrei em contato com quem me orientava e com outras, que “homologaram” a minha decisão, e além de ter feito várias pesquisas.

No dia 15/10/2015 eu pus em exceção o novo plano de treinamento, e aconteceu exatamente o que imaginava: bom desempenho e pouco cansaço. Meu ritmo médio (pace) correndo foi de 05:15 minutos por km (média feita no excel, trabalhando especificamente com horas — mm:ss, neste caso), sendo que o ritmo médio geral (considerando a caminhada de recuperação) foi de 07:03 minutos por km (contra 07:27 minutos por km, marca do meu último recorde, quando reduzi quase 30 segundos do meu pace geral). Pode parecer um ritmo forte, mas não me senti cansado, e a recuperação durante o dia foi muito rápida.

O meu blog é pessoal, mas não especificamente sobre corrida de rua (quem sabe algum dia eu crie algum), e não vou ficar postando diária ou semanalmente sobre o meu desempenho — muito provavelmente farei boletins esporádicos para mostrar evolução ou algo peculiar. Apaguei os posts anteriores porque estava ficando confuso (algumas coisas publiquei sem querer, outras eu apaguei ou editei e muita coisa ficou sem sentido).

Vigorexia, o distúrbio ‘das academias’ que leva ao desejo de ter corpo cada vez maior

A primeira palavra que vem à mente quando se está diante de Pradeep Bala é “grande”. O indiano de 25 anos tem braços enormes, ombros largos e um grande peitoral. Mas ele não está feliz com seu tamanho.

Sua obsessão em conseguir o corpo “perfeito” é, na verdade, um distúrbio de ansiedade pouco conhecido: a vigorexia. Formalmente conhecido como “dismorfia muscular”, também é descrito às vezes como uma anorexia ao contrário.

Ele se caracteriza por uma incompatibilidade entre o corpo de uma pessoa e a imagem que ela tem de si mesma. Mesmo sendo grande e musculosa, ela se vê “pequena”.

Para Pradeep, que mora em Londres, no Reino Unido, tudo começou quando ele passou a se comparar aos homens musculosos que ilustram páginas de revistas. “Pensava que, se eles conseguiam ficar assim, eu podia também”, diz.

Com 1,70m de altura, ele tem um físico que se encaixaria perfeitamente numa revista de fisiculturismo, mas que considera insuficiente.

“Definitivamente, sou pequeno. E costumo ser duro comigo. Digo para mim: ‘Qual é o seu problema? Olhe para você. Vire homem'”, afirma.

“Esse diálogo interno faz com que pouco a pouco eu fique mais ansioso e depressivo.”

Distúrbio desconhecido

A vigorexia pode afetar homens e mulheres, mas costuma ser mais prevalente entre eles.

Estima-se que um de cada dez homens que frequentam academias no Reino Unido sofra deste problema, que pode levar à depressão, uso de anabolizantes e até mesmo ao suicídio.

No entanto, muitos casos não vêm a público, segundo Rob Willson, presidente do conselho da Fundação de Distúrbio de Dismorfia Corporal.

Ele diz que esta condição vem se tornando mais frequente, mas que muitas pessoas deixam de ser diagnosticadas, porque o distúrbio ainda é desconhecido.

“Temos milhares e milhares de pessoas assim, que se preocupam excessivamente com sua aparência e têm baixa autoestima”, afirma Willson.

“Esta ansiedade e preocupação em demasia podem deixar alguém deprimido a ponto de levar ao suicídio.”

Fora de controle

No caso de Pradeep, começar a malhar e seguir uma dieta rígida fez ele sentir-se ótimo a princípio, mas logo isso saiu do seu controle. Por mais musculoso que ficasse, ele nunca estava satisfeito.

Ele diz ter chegado à conclusão de que tinha vigorexia no fim da adolescência. Mas não foi algo simples.

“No início, não me importei. Não queria acreditar que a vigorexia existia e que tinha esse problema”, conta Pradeep.

“Foi somente anos depois, ao ver alguns documentários, que eu assumi que tinha algo errado.”

A vigorexia gerou vários outros problemas em sua vida. “Perdi amigos, porque me isolava, não falava com ninguém, não atendia ligações nem respondia emails. Só acordava, trabalhava, malhava e dormia”, diz.

“Sentia a necessidade de bloquear qualquer vida social até estar satisfeito o suficiente com meu corpo para ter a autoestima necessária para falar com as pessoas.”

Desequilíbrio

Mas o que causa a vigorexia?

Sua origem não está clara, mas especialistas acreditam que pode ser uma condição genética ou fruto de um desequilíbrio químico no cérebro.

Experiências de vida também podem ser um fator. A vigorexia pode ser mais comum em pessoas que sofreram abusos ou foram alvo de gozação de colegas durante a infância.

A mãe de Oli Loyne, Sarah, acredita que ele tornou-se vigoréxico por sua insegurança com sua baixa estatura, de 1,57m.

“Ele queria compensar isso tendo o corpo mais largo possível”, afirma ela.

Loyne começou a malhar excessivamente e a tomar anabolizantes quando tinha 18 anos. Aos 19, teve dois ataques cardíacos e um derrame. Ele morreu após o terceiro infarto, um ano depois.

“Não conseguia mostrar a ele o que estava fazendo com seu corpo. Ele dizia ‘Preciso atingir o corpo que vejo na minha mente. Preciso ficar grande'”, diz Sarah.

‘Perdi minha casa, a namorada e o emprego’

O uso de anabolizantes pode ser um sintoma da vigorexia. Estas drogas podem aumentar o crescimento muscular, mas geram muitos efeitos colaterais, como queda de cabelo, atrofia dos testículos e problemas cardíacos e de fígado.

Willson diz ainda que, hoje, homens são cada vez mais condicionados a pensar que precisam ter determinada aparência para sentirem-se bem-sucedidos, poderosos e atraentes.

“Há uma pressão para que sejam musculosos, tenham um físico em formato de ‘V’ e tenham um abdômen definido.”

Adam Trice, de 31 anos, era um fisiculturista amador obcecado em ficar cada vez maior. Essa busca pelo corpo “perfeito” fez também com estivesse sempre na academia.

“Comecei com 76 kg e com a meta de chegar aos 95 kg. Quando cheguei aos 95 kg, quis chegar aos 105. Depois, aos 120 kg. Você sempre quer algo mais. Seu objetivo vai aumentando”, diz ele.

Ele acabou perdendo seu emprego, sua namorada e sua casa. Ficou tão deprimido que tentou se matar.

“Estava infeliz. Não tinha paz. Não estava lidando com meu problema e cheguei a um ponto horrível”, diz Trice, que foi parar no hospital e obrigado a obter ajuda profissional.

“Fiz muita terapia e descobri muitas coisas sobre mim mesmo. Aprendi a gostar de como sou”, afirma.

Batalha mental

Pradeep, que abre esta reportagem, também diz que a vigorexia se transformou numa constante batalha mental.

Ele diz que, nos piores dias, sua autocrítica excessiva o faz pensar que tudo está errado em seu corpo.

“Houve diversas vezes que olhei no espelho e fiquei enojado comigo mesmo”, conta.

E diz que, apesar de ter um físico que deixaria alguns com inveja, ele não se sente orgulhoso de seu corpo.

“Quando estou na academia, uso um casaco com capuz. Não quero atenção nem simpatia. Não quero que ninguém me elogie. Quero apenas malhar”, afirma.

“Isso me faz ser muito modesto. É simplesmente a forma como me sinto.”

Fonte: BBC Brasil

Entorse: lesão corriqueira que exige atenção para recuperação completa

A entorse de tornozelo é um acometimento relativamente comum, que pode acontecer durante a prática de esportes ou após um simples deslize no dia-a-dia.

Embora seja corriqueiro, este tipo de lesão exige atenção e cuidados para que a sua recuperação seja completa.
Na maioria das vezes, a entorse ocorre com uma torção do pé para fora (em inversão), gerando imediatamente um inchaço na região lateral do tornozelo. A primeira medida a ser tomada é elevar o pé e colocar gelo na região durante vinte minutos. Este procedimento diminuirá a dor e controlará o inchaço. Um médico deve ser consultado para o diagnóstico preciso da lesão e orientação do tratamento. Em alguns casos, há ruptura dos ligamentos laterais do tornozelo, mas, na maior parte das vezes, o tratamento não é cirúrgico.
O fortalecimento da musculatura do tornozelo é muito importante após o período de repouso necessário para a recuperação das lesões. Sem essa medida, o tornozelo fica instável, o que aumenta o risco de novas entorses e de tendinite nos músculos.
Exercícios para a melhora do equilíbrio também são importantes, pois a propriocepção – percepção do próprio corpo, incluindo a consciência do movimento dos membros e das mudanças no equilíbrio – do tornozelo fica comprometida após esse tipo de lesão. O retorno à prática de atividades físicas deve ser progressivo, mas, com os cuidados adequados, o tornozelo estará seguro e preparado para a volta aos treinos.
* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com
Fonte: Eu Atleta

Ajude Kira Grünberg!

Ajude Kira Grünberg!

A saltadora com vara Kira Grünberg está paraplégica após um acidente de treino. Apesar dessa tragédia, Kira é corajosa, uma lutadora e precisa de seu apoio. Para garantir a melhor reabilitação, a família Grünberg criou este site de doações. Todos os rendimentos vão diretamente para a conta da família Grünberg.

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Bank: Tiroler Sparkasse

Evento beneficente

“Corra para Kira”: O time de corrida do clube vienense 2012.at planeja uma “Corrida para Kira” em 2 de setembro no Prater.
Mais informações

Caso você também deseje organizar um evento de caridade para Kira Grünberg. Seja como um indivíduo, associação, como uma empresa, ou entre amigos – as possibilidades de apoio são variadas e a criatividade não tem limites. Por favor, entre em contato diretamente com o empresário de Kira Grünberg:
Mag. Thomas Herzog
Telefon: +43 676 6258958
E-Mail

Fonte: http://www.donationkira.com/ (inclusive o texto em português) — através do site é possível ter acesso ao link para doação via Paypal.